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O Quénia


Situado na África Oriental, o Quénia é constituído por 37 milhões de habitantes. Cerca de 56% da população vive em situação de extrema pobreza, segundo o último relatório das Nações Unidas. Mais de 3 milhões de pessoas estão actualmente infectadas com HIV/SIDA, e já morreram cerca de 2 milhões de pessoas com doenças relacionadas com o HIV/SIDA, deixando mais de 1.5 milhões de crianças órfãs. A mortalidade infantil tem vindo a aumentar progressivamente desde os anos 90, bem como o número de crianças infectadas pelo HIV/SIDA.




Devido à recente vaga de violência pós-eleitoral no final de 2007, milhares de quenianos viram-se obrigados a deslocarem-se das suas zonas de residência devido à destruição das suas habitações. Segundo a agência noticiosa das Nações Unidas, o número de deslocados internos ultrapassa os 300 000, sendo a maioria oriunda da Província de Rift Valley e da capital, Nairobi – muitos deles de bairros de lata como o Kibera, Kware e Kitui Ndogo.




Nairobi, a capital do Quénia, tem cerca de 5 milhões de habitantes, sendo que mais de 3 milhões vivem em bairros de lata (os “slums”), nomeadamente em Kibera, o maior bairro de lata de África com cerca de 1,5 milhões de habitantes, e um dos maiores do mundo.





A ADDHU no Quénia


Em Outubro de 2007, a Presidente e Fundadora da ADDHU, Laura Vasconcellos, deslocou-se ao Quénia
naquela que viria a ser a primeira de muitas outras missões a este país. Durante duas semanas pode conhecer a realidade que não consta dos itinerários dos famosos safaris e passeios turísticos deste país, uma realidade dura e cruel que lhe foi mostrada por Armstong O’Brian Ongera, Presidente e Fundador da AID Kenya Foundation, uma pequena organização local que trabalha no campo dos Direitos Humanos e da Ajuda Humanitária, de onde partiu o pedido de auxilio feito à ADDHU.

Para estabelecer prioridades e traçar um plano de acção, Laura Vasconcellos visitou várias regiões no país e distribuiu cerca de 2000 pacotes de pensos higiénicos obtidos em acções de angariação nos supermercados Pingo Doce e também por doação da fábrica Renova, tendo estabelecido com esta empresa um protocolo de colaboração que se mantem até hoje.

A visita de Laura Vasconcellos começou pelos “slums” ou bairros de lata de Nairobi, designadamente  Kibera, conhecido como o maior bairro de lata de Africa, Kitui Ndogo, Kamukunji, e Kware.




Na região de Kisii, uma região rural remota extremamente pobre, e muito afectada pela elevada incidência de Sida, foram visitadas aldeias situadas em zonas remotas e isoladas cujas carências das populações são inúmeras, entre elas a falta de água, centros de cuidados de saúde, escolas/orfanatos entre outras. Apesar de ser proibido pela lei queniana, cerca de 98% das raparigas da região de Kisii são submetidas à prática da mutilação genital feminina, o que, para além de uma grave violação dos direitos e da dignidade humana, constitui um sério perigo para a saúde destas crianças e jovens mulheres.




Foram assim estabelecidas as seguintes prioridades e areas de intervenção:

  1. Providenciar alimentação, educação e cuidados de saúde às crianças dos bairros de lata de Nairobi, nomeadamente órfãos vítimas da Sida e crianças seropositivas;
  2. Envio de voluntários para as áreas em maior necessidade, como orfanatos, escolas e centros médicos;
  3. Realização de campanhas de prevenção e informação sobre doenças como o HIV e ainda campanhas de combate contra a mutilação genital feminina;
  4. Providenciar, sobretudo às jovens das zonas mais carenciadas, produtos de higiene feminina, alertando também para a importância dos cuidados de higiene;
  5. Estudar as possibilidades de aproveitamento sustentável dos recursos naturais, em especial a água, escassa em algumas regiões, bem como financiar a construção de furos de água em regiões rurais remotas.





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Clique aqui para ver a reportagem da RTP1 sobre o trabalho da ADDHU no Quénia,
os bairros de lata e a mutilação genital feminina

 

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