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Testemunhos dos Voluntários da ADDHU no QuéniaVoluntária Maria Alegria “As palavras não chegam para contar o significado tão especial de tudo o que vivi… Tudo o que eles me deram encheu-me de cor e magia! Fica a vontade de voltar, de os abraçar…preenchem-me os sonhos hoje…e todos os dias sinto saudades deles…a toda a hora…. Cada um deles é uma estrela muito brilhante no meu céu...”
Voluntária Filipa Machado:
“Não posso escrever um testemunho sem realçar a admiração que tenho pela Laura e a ADDHU e no esforço diário que faz para ajudar estas crianças do Quénia e Nepal. Só tendo esta experiência é que temos a verdadeira noção da dimensão das dificuldades que têm que se ultrapassar diariamente. Qualquer mudança principalmente a de mentalidades é extremamente difícil. Para que se consigam incutir hábitos diferentes nas crianças, primeiro há um enorme caminho a percorrer para mudar a cabeça dos adultos que os acompanham. Um pequeno exemplo é o de fazê-los entender que os meninos têm que lavar os dentes, pelo menos uma vez por dia… Por outro lado as dificuldades financeiras. A vida no Quénia é caríssima e para comprar qualquer coisa para que os meninos comam melhor ou para lhes dar mais conforto, é uma fortuna. Há mesmo muitas dificuldades! Só posso sentir-me uma privilegiada por ter tido esta experiência. Não há dúvida que temos muito a aprender com a nobreza destas crianças que já passaram por coisas tão más na vida, e que têm uma capacidade de dar tão grande. São muito especiais! Quem vive esta experiência só pode fazer nascer ou crescer o espírito de missão. Não é possível passar por isto e não sentir o verdadeiro significado de consciência social. O facto de ter acabado esta etapa, só me faz ter a certeza de que muito mais há para fazer não só no Quénia ou no Nepal, mas aqui mesmo ao nosso lado. Essa é sem dúvida a grande lição que se tira desta experiência, o que achamos ser pouco pode significar tanto para quem recebe!
De entre várias situações e momentos que me marcaram, houve uma de que não me esqueço, a do John a chorar porque não tinha uma escova de dentes…vi aqui a diferença para as nossas crianças que se, se puderem “escapar” de lavar os dentes, fazem uma festa!”
Voluntária Filipa Fialho:
Ongata Rongai, Quénia, 11/10/2009:
Chegámos ao orfanato há precisamente duas semanas e não sei se foi há muito ou há pouco tempo. Não consigo pensar que de hoje a 8 dias estou a aterrar em Lisboa e deixei estes 25 príncipes para trás. Para sempre. Se pudesse levava-os todos comigo. É difícil escolher, cada um tem um encanto especial. Derrete-me a gargalhada genuína da bebe Winnie e a doçura com que faz tudo! Quero levar o brilho dos olhos transparentes da Dorcas. É tão LINDA! São as minhas princesas Kikuyu. Não resisto à energia da Eufi, Eufrashia, menina Luo, despachada como uma mulher pequenina. Fala que se desunha, tem uma alegria louca de viver e é uma heroína corajosa! A Soila, menina masai que tem um encanto especial. Não se explica… sente-se. A sinceridade e o coração de manteiga do Fred, menino kisii, o ar paternal do Edwin, a marotice do John, a reguilice do Christiano! É mágica a maneira como nos tocam e nos sentem. Dizem que temos a pele macia e os cabelos fofos! Comparam cores e querem ser como nós. Eu é que quero, sem dúvida, ser como eles! E ter estes sorrisos genuínos e a alegria que lhes sai do coração! Quero levá-los todos comigo. Não posso levar nenhum. Falta uma semana. Mas tenho a certeza que muito mais do que possa cá deixar de mim, levo comigo um bocadinho de cada um destes meninos cor-de-carvão. E um “bocadinho” de cada um é tanto que ainda falta uma semana e já sinto o meu coração a rebentar. É gigante o que se recebe. Parece pequenino o que se deixa. Mas fica. Para sempre. Já sinto o coração pequenino de saudades. Não tenho dúvidas… esta experiência é gigantescamente feita de contradições e quem vem para dar regressa (sem dúvida) com muito mais do que pode imaginar. MUITO MAIS!”
Faz hoje (18/01/2026), precisamente 3 meses que aterrámos em Lisboa com o coração gigante de experiência e pequenino de saudade, do que deixámos, de quem deixámos, de tudo o que trouxemos. Cá dentro. Passaram 3 meses e não há dia nenhum que não me lembre do sorriso envergonhado da Irene, da destreza da Mercy, da doçura da minha querida Eufi, do desembaraço da Susan. Ainda sinto o cheiro do orfanato. Ainda sinto o toque da pele dos “nossos meninos”. Ainda acordo a lembrar-me da bagunça e da galhofa que faziam logo às 6h da manha!!! São crianças TÃO felizes! E eu sou TÃO MAIS FELIZ desde que os tenho na minha vida! Não tenho dúvidas: o projecto Wanalea exige muita coragem, não para ir…mas para voltar!
Obrigada ADDHU!
Voluntária Alda Coelho:
"Há já algum tempo que escrevo e reescrevo este pequeno texto sem conseguir que as palavras correspondam aos sentimentos e às recordações das semanas passadas como voluntária no orfanato em Ongata Rongai, pelo que optei por partilhar uma pequena experiência da minha estadia.
Certo dia, já fim de tarde, estávamos na sala a brincar e chegaram dois amigos do Orfanato com o Armstrong, o Sr. trazia um pacote de mini-queques onde sobrava apenas um e uma garrafa de 30cl de sumo meia vazia, ao entrar deu-a à Shalliff. Na facção de tempo em que me distraí a cumprimentar os recém-chegados as crianças desapareceram da sala. Quando as procurei encontrei-as no quarto das meninas - em silêncio formavam uma roda, a Shalliff no meio partia o mini-queque solenemente, entregando um pouco a cada um, enquanto a garrafa de sumo circulava de mão em mão.
Sorrisos...Partilha...Amizade...Esperança...Sonhos...Dádiva... Asante Sana."
Voluntária Susana Barbas: "Foi uma experiência inesquecível mas um pouco difícil de traduzir em palavras. Talvez tudo se resuma a um sentimento de gratidão: grata por existir a ADDHU que faz um trabalho maravilhoso no Quénia, grata por ter conhecido a Laura e a Carolina que fazem deste mundo um sítio melhor para se viver, grata por ter convivido com estas crianças que tanto me ensinaram com a sua garra, a sua coragem, a sua alegria e sua infindável energia, grata pelo Robert, pela Rista e pela Naomi que me acolheram de braços abertos. Voluntariado não é dar, é receber. Muito obrigada a todos."
Voluntária Elisabete Gomes: "O testemunho que quero deixar é muito pessoal mas quero partilhar com vocês!:) Quando iniciei o meu voluntariado no IPO/HSJ no serviço de pediatria, conheci muitas crianças, mas uma delas alterou o meu percurso de vida!:) Chamava-se João Pedro e no seu segundo caso de cancro e sabendo que tinha poucas possibilidades de sobreviver pediu-me que concretizasse um sonho por ele! Certo dia viu uma reportagem sobre crianças de África e ficou incomodado com a falta de AMOR que as crianças tinham, dizia-me que ele estava doente, mas era uma criança abençoada porque tinha uma família que lhe dava muito AMOR e questionava-se como aquelas crianças castanhas viviam sem AMOR! Pediu-me para ir até África dar AMOR as crianças castanhas, palavras de João Pedro !:) E foi essa promessa a um menino sábio que me levou fazer voluntariado em África e com a vossa ajuda foi possível cumpri-la, o meu obrigada!:) Fazer voluntariado internacional faz parte dos projectos a curto prazo, fiquei encantada com as crianças e acredito tal como João Pedro que uma criança amada será um adulto capaz de amar! Foi uma honra fazer parte da vossa equipa!"
"Foi com muito entusiasmo que participei numa missão de voluntariado no orfanato da ADDHU, em Nairobi, na esperança de ajudar a construir um mundo melhor às crianças que nele vivem. Foi uma experiência magnífica e muito gratificante!
Com a ADDHU, amadureci o meu espírito solidário e fortaleci valores tão importantes à saúde humana como a justiça, a coesão, a lealdade e o respeito pela diversidade.
A minha experiência enquanto voluntária contribuiu fortemente para o meu crescimento pessoal. Aquelas crianças enriqueceram o meu interior e tornaram-me mais consciente da minha responsabilidade enquanto ser social.
Recebi delas o dobro do que lhes consegui oferecer e os laços afectivos que criámos têm marcas profundas no meu processo de maturação humana, afectiva e espiritual.
Obrigada à ADHHU e a todas as crianças do orfanato por esta experiência maravilhosa que me permitiram viver!"
Voluntária Susana Silva: "Tenho saudades de acordar com as suas gargalhadas, de jogar futebol e ver a Shalliff a brilhar, do resmungar do Cristiano, da loucura dos banhos, do abraço de boa noite da Mercy, do olhar meigo e da gargalhada da Winnie, de ouvir Shakira 300 vezes por dia e de os ver a dançar como só eles sabem, de pintar paredes, do olhar carinhoso da Rista, da destreza da Hilda, das palhaçadas do John e do Fred, da ternura do Robert, da elegância da Dolphine, da doçura da Soila, da garra, energia e alegria contagiante daquelas 25 crianças, de me deitar com o corpo cansado mas com a mente e o coração revigorados… Descansem aqueles que temem voltar com o coração partido… vêm sim com ele cheio!! Descansem aqueles que pensam que vão ser só mais umas “férias”. É sim uma maravilhosa experiência a partir da qual a vossa vida nunca mais será a mesma..."
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Voluntário Gonçalo Castro: "O nosso testemunho foi deixado na casa, numa carta em forma de história da “carochinha” – onde foi afixado nas paredes (e espero nos corações de cada um deles). Essa historia reflecte desde o simples pensamento de ida até o dia da nossa vinda. Talvez por ser muito realista/pragmático possam não entender o que vou dizer a seguir mas as minhas férias “grandes” foram passadas no Quénia e vim de lá com a alma e cérebro fresco – uma ou outra “mazela” de trabalho físico mas que bem que soube...pois as crianças dão-nos tudo no final – um sorriso que nos aniquila, um carinho que nos derrete, uma necessidade de atenção que nos prende... Para quem esteja a pensar em ir, para quem nunca tenha pensado e para quem tenha pensado mas tem medo, VÃO...e não se vão arrepender. Em relação, a uma historia memorável... eu diria que seriam os 15 dias passados pelo centro mas tenho uma que não me sai da cabeça: No dia em que decidimos fazer um bolo de chocolate, a Hilda (a bebé da família) ajudava-nos na preparação e quando a massa estava pronta demos à Hilda para provar (pois de outra forma era impossível ir para o forno sem aprovação), e só me lembro dela colocar o dedo na massa e levá-lo à boca... depois disto, sai-se com isto: “I love it”. Parecia um anuncio de TV... tinha acabado de ganhar o dia!!!!!"
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O blog das voluntárias Ângela e Filipa
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